Fotografia: o símbolo de uma ideia


No início eram os Números, chamados de Década Pitagórica ou Tetráktis por Pitágoras, que afirmou: "Tudo são números". Platão deu-lhes o nome de Arquétipos ou Ideias Primordiais, que habitam aquele que seria, verdadeiramente, o mundo real: a mente pura e divina que é a essência de tudo. Estes Arquétipos, ordenados sob um princípio construtor, formaram por sua vez estruturas mais complexas.  
E assim projectaram uma sombra; plasmando-se em mundos cada vez mais densos, diferenciando-se. Nasceu então tudo aquilo que vemos ao nosso redor. Neste plano mais tangível e material, observamos as múltiplas imagens que conspiram para nos levarem novamente, quais símbolos de uma realidade esquecida, a redescobrir cada uma dessas Ideias Primeiras que vivem para lá das sombras - das aparências da ilusão deste mundo, aquilo a que os orientais chamaram de Maya. 

"A Evolução é a lei da Vida, O Número é a lei do Universo, a Unidade é a lei de Deus." (Pitágoras)

 O Arquétipo da Beleza, o mais apreciado em todas as artes, surge assim neste mundo sob a forma de uma estátua grega, um quadro de Monet, uma música de Wagner ou de uma paisagem idílica de um paraíso terreno. São inúmeras as expressões que um Arquétipo pode possuir, no entanto, ele é apenas e somente um, como a luz branca que se expressa nas 7 cores do arco-íris quando se refracta num prisma.

Monge construindo uma mandala
A imagem e no caso concreto, a fotografia, tal como uma mandala, tem a capacidade de nos levar, por intermédio de uma simples e estática imagem, a fixar-nos o pensamento no símbolo de um Arquétipo, levando-nos ao contacto com essa ideia primordial. Torna mais fácil essa tarefa, promovendo assim a concentração, a atenção, a imaginação e ainda a intuição, já que, no nosso dia-a-dia, as imagens e momentos seguem-se a uma velocidade muitas vezes inimiga da reflexão e da interiorização consciente.

No projecto a que chamei FOTOsophia, que estará brevemente em exposição, essa faculdade da fotografia é auxiliada por pensamentos de filósofos que penetram na ideia destacada pela respectiva imagem, convidando o observador a entrar pela porta do símbolo, rumo ao seu próprio interior, onde se encontra a essência de tudo. Assim, os Arquétipos, como apontou Jung (discípulo de Freud), são os modelos ou matrizes pelos quais se contrói a psique, estando também os Arquétipos Universais presentes no inconsciente colectivo da humanidade, sendo deste modo partilhados por todos os seres humanos. Por estes modelos universais podemos nós estruturar-nos internamente, pois a nossa psique não reflecte actualmente na sua perfeição estes modelos, estando desestruturada, dando assim origem aos inúmeros problemas que finalmente despontam como dor - o alarme universal que nos chama a despertar para a necessidade de por ordem na nossa estrutura interna.


Stelya Pereira