Fotografias famosas e seus autores - uma reflexão


Estas fotos seriam impossíveis de existir se estes fotógrafos repetissem um comportamento que hoje está totalmente disseminado na raça humana. O de viver alheado da vida, revivendo no seu mundo mental constantemente o passado ou criando ansiedades por vezes infundadas acerca de um futuro que almejamos ou tememos e que nos corta as asas para viver o agora, de maneira plena. Sim, é necessário rever o passado para aprender com ele, e claramente é necessário planear para podermos colher frutos num futuro, no entanto, a atitude insana a que me refiro trata-se de um pensamento circular repetitivo sobre cada um destes tópicos e que geralmente nos faz despertar emoções negativas: ansiedade, tristeza, dor, incapacidade, etc. É a este comportamento interno que me refiro e que deve ser abolido para vivermos o presente.

Quando assim vivemos, não prestamos atenção ao nosso entorno: ao que nos dizem, ao que acontece, aos pormenores do espaço que nos rodeia, em caso extremo ainda incorremos cair em algum buraco na rua se formos demasiado distraídos ou tropeçar em alguém. Este é um problema de excesso de egocentrismo (viver centrado no ego), onde os nossos processos mentais e emoções decorrentes deles nos absorvem toda a atenção e nos invalidam de nos podermos ligar genuinamente à vida, criarmos relações interpessoais ricas, termos uma boa memória e concentração, etc. 

Falando especialmente nas imagens que nos rodeiam, ao que acontece à nossa volta - foco da fotografia - podemos fazer dela uma espécie de terapia: algo que nos obriga a manter atenção em algo que não os nossos processos mentais, emoções, corpo... em suma, na nossa personalidade. Pode ser na verdade uma prática espiritual, uma meditação. Obriga-nos a viver o presente, a ver aquilo que acontece agora mesmo e aqui, faz-nos apreciar a beleza, a luz, as cores, a forma, as relações espaciais... e leva-nos para além disso, para aquele estado de contemplação que nos maravilha. Pode levar-nos a reflectir e a reter verdades que se encontram em todo o lado, basta saber olhar. Só é preciso estarmos atentos, concentrados, receptivos ao mesmo tempo que activos e dinâmicos. E assim se faz o "click".

É preciso saber criar um espaço dentro de nós onde conseguimos sentir essa paz de estar no silêncio da nossa mente a contemplar um momento, sem criarmos juízos de valor, preconceitos, antecipar coisas... É aqui, neste espaço interior, que temos contacto com aquilo que é a nossa essência, aquilo que jaz para além de todas as etiquetas que temos para nós mesmos sobre quem somos: relativas ao que fazemos, ao que temos, ao que gostamos, detestamos, ao nosso sexo, à forma como nos expressamos e também relativas ao outro. Neste silêncio apenas somos. Sem etiquetas, sem rótulos. E porque essas etiquetas variam no decurso da vida, esse "Eu sou" no silêncio de nós mesmos é na verdade o mais permanente e verdadeiro que podemos conhecer cá dentro. Mas é preciso conhecer, e para isso, fugir da loucura da humanidade dos mil pensamentos que giram constantemente e sem controlo na cabeça, da euforia emocional logo seguida de um período depressivo numa oscilação debilitante de emoções. É preciso calar todas essas vozes da personalidade humana que no fundo não são a nossa verdadeira essência, e assumirmos o controlo e a capacidade de pensar o que queremos pensar, sentir o que queremos sentir e manifestar para o mundo aquilo que realmente queremos e não o que os nossos impulsos momentâneos nos ditam.

Estes fotógrafos tiveram o dom de estarem atentos e registarem esses momentos que impactaram uma época e fizeram assim perdurar a história. Ainda que não tenham usado todo o potencial de estarem concentrados no presente, e ainda que o tenham feito inconscientemente pelo amor à fotografia, naquele momento viveram o presente e essa dimensão dentro deles que lhes diz quem são.

E tu, já fotosophaste hoje?


Douglas Kirkland e sua reprodução de Marilyn Monroe
Bill Eppridge e sua foto de Robert F. Kennedy depois de ser assassinado
Elliot Erwitt e a foto tirada em 1974 em Nova York
Brent Stirton segurando a foto tirada na República Democrática do Congo, em Virunga - o primeiro parque nacional da África.
Brian Smith - “A mágica da fotografia acontece quando você consegue imaginar o que acontece a seguir”

Jeff Widener segura a foto do “homem tanque” Tirada em 89

Harry Benson e a clássica fotografia dos Beatles tirada em Nova Iorque no ano de 1964


Karen Kuehn segurando a foto feita para uma edição da National Geographic


Lyle Owerko e a foto das torres gémeas sofrendo o ataque terrorista em 2001
Mark Seliger e a foto de Kurt Cobain que tirou para a Rolling Stone

Mary Ellen Mark segurando a fotografia tirada em 1990, chamada “The Great Golden Circus”
Neil Leifer e a foto da luta entre Ali e Liston
Steve McCurry e a famosa foto de Sharbat Gula - a mulher paquistanesa