O dever próprio de cada um

Crédito fotográfico: Robin Karim

"Mais vale cumprir o seu próprio dever (svadharma), ainda que de forma imperfeita, do que cumprir perfeitamente o dever alheio; é perigoso cumprir deveres alheios." 

Dharma é a ordem, a lei natural, o dever e a virtude. Svadharma é o dever próprio de cada um, a plasmação e aplicação do Dharma uno na multiplicidade de seres.
O dharma ou lei natural de um médico é diferente do dharma de um guerreiro, de um mercador ou de um artesão. 
A nossa realização pessoal faz-se pelo cumprimento do nosso papel como seres humanos na Vida: este grande palco no qual somos todos actores, onde temos a nossa máscara (do grego persona, de onde vem a palavra personalidade), temos as nossas circunstâncias (as nossas condições de vida, meio social e familiar, raça, época, civilização, etc) e temos ainda o nosso ser, que existe para além do corpo, das emoções e do pensamento, e que usa a máscara e as circunstâncias para representar o papel que lhe coube. 
É cumprindo esse papel e transcendendo-o que podemos trilhar a senda do desenvolvimento e da evolução, rumo àquele estado de libertação que no Oriente se designou como "iluminação". 
Na filosofia oriental, diz-se que o homem comum vive na ignorância das leis naturais e assim transgride-as, o que resulta em sofrimento e no reencarnar múltiplas vezes, buscando a experiência que lhe falta, purificando-se, até se libertar da roda da vida e da morte, atingindo finalmente o Nirvana, que significa literalmente "sair do bosque". É o sair da pluralidade, da desordem, da escuridão.
Ao cumprirmos o nosso próprio dever e não o de outro, ao percorrermos a senda que nos coube percorrer a nós nesta vida, ao vivermos as experiências que nos estavam reservadas e ao ultrapassarmos vitoriosamente as provas e desafios que a Vida nos coloca em frente para nos ensinar algo, crescemos por dentro e isso reflecte-se fora, nas nossas acções.