Aquele momento em que paras de fugir de ti próprio e te encontras...




Há uma panóplia de coisas que as pessoas fazem para fugirem ao acto da resolução dos seus próprios problemas pessoais: excesso de desporto, matarem-se a trabalhar, gastarem imenso dinheiro em coisas fúteis, rodearem-se de amigos/amiguinhos/puxa-sacos e afins que lhes elevam a auto-estima, recorrerem às drogas, bebida, sexo e violência, terem hobbies completamente inúteis que causam dependência e pouca actividade cerebral, envolvimento nas redes sociais em excesso, envolvimentos amorosos que são mais fogo de palha e manifestação de carência do que outra coisa, preocuparem-se demasiado com os outros e com a sua própria imagem, iludirem-se ao pensar que nem sequer têm problemas nenhuns, depender dos outros para tudo, ficar grudado na TV a toda a hora, procurarem todo o tipo de coisas que lhes faça sentir "vivos", azucrinar a cabeça dos outros só porque sim, criticar tudo e todos, culpar todos menos a si próprios, fugir de pensar, analisar, perceber porquês e procurar respostas porque não se querem "deprimir" com questões existenciais... e a lista continua... 
Estas coisas não resolvem absolutamente nada, só te fazem varrer a sujeira para debaixo do tapete. Mais dia, menos dia, ela não vai caber mais lá debaixo... e... logo sai tudo cá para fora de rajada. E se pensas que até lá chegar ainda demora muito... o tempo é relativo e passa muito rápido, principalmente depois dos 25!
Então que fazer? Não vivas a vida a fugir de ti próprio porque... guess what? Não consegues. Enfrenta-te, descobre-te, questiona-te, pesquisa, põe em prática, erra, acerta, aprende, relativiza, muda o que tem que mudar, mantém o que tens de manter, liga-te ao mundo em profundidade, sente, cheira, toca, vê com olhos de ver, plenamente consciente dos estímulos dos sentidos, pensa bons pensamentos, emociona-te com coisas belas, retém tudo em ti, interliga experiências, ama, ajuda o próximo, liberta-te do egoísmo que te prende, manifesta toda a tua vontade e coragem, esforça-te e liberta a tua imaginação para sonhares com o futuro que te é possível construir e acredita nele. Sente cada inspiração de ar puro, cada garfada de comida, cada olhar cruzado, cada som, cada ideia, cada paisagem e cada pormenor, cada pessoa que por ti passa na vida, e ri-te das adversidades como se de um jogo se tratasse, ao mesmo tempo que te lanças a elas com vontade de vencer e conquistar. E se perderes uma batalha, podes ainda assim vencer a guerra. Aprende a escolher as tuas batalhas. 
Identifica os teus problemas e resolve-os com inteligência e persistência um a um. Não tenhas medo da dor, habitua-te a ela para a suportares melhor e dá-lhe o devido valor quando te visita, pois ela te ensina o bem, afastando-te do mal. Trata a vida com respeito e propósito, com responsabilidade e sentimento de missão. Descobre o que andas aqui a fazer, quem és, qual o teu papel no mundo e para onde vais. Traça o teu caminho, ainda que possas duvidar ao início dele. Podes sempre vir a alterá-lo depois, o importante é dares passos e aprenderes com eles. Vive! Não deixes que a vida se torne morta para ti, como um filme de classe B a que ninguém quer assistir ou pouca atenção lhe dá. Não te desligues da vida fazendo uma fuga para a frente em ciclos de buscas intermináveis e repetitivas de coisas que não te preenchem o vazio que sentes quando ficas só e o coração pesa, apertado e confuso. 
Viver ou sentir-se vivo não é ter um sentimento de euforia ou de actividade constante para distração dos males. É estar presente em todos os pormenores da nossa vida, desperto, atento, activo, agindo em movimentos concertados com um rumo que nos leva a sentir a felicidade de construirmos algo maior do que nós mesmos com as nossas próprias mãos. É sentir que temos um papel a cumprir neste palco que é o mundo e o representarmos com toda a nossa dedicação e esforço para que seja o mais perfeito possível e nos sentirmos assim realizados. 
Aprende a viver!... aqui e agora!