O lado B da crise


Créditos fotográficos: Vadim Trunov

"Não pretendemos que as coisas mudem, se sempre fazemos o mesmo. A crise é a melhor benção que pode ocorrer com as pessoas e países, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera-se a si mesmo sem ficar “superado”. Quem atribui à crise seus fracassos e penúrias, violenta seu próprio talento e respeita mais aos problemas do que às soluções. A verdadeira crise, é a crise da incompetência. O inconveniente das pessoas e dos países é a esperança de encontrar as saídas e soluções fáceis. Sem crise não há desafios, sem desafios, a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito. É na crise que se aflora o melhor de cada um. Falar de crise é promovê-la, e calar-se sobre ela é exaltar o conformismo. Em vez disso, trabalhemos duro. Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la."
Albert Einstein 



Uma velha história bem conhecida, a fábula da borboleta, ajuda a compreender a ideia que Einstein imortalizou neste texto. Fala acerca de uma borboleta, que como todas as borboletas antes de nascer, estava presa no seu casulo,  do qual só poderia sair despendendo esforço e tempo para rasgar a película que a envolvia. Mas esta borboleta particular teve uma história diferente. Foi encontrada por uma criança, que na sua inocência ao ver os tremendos esforços que a borboleta empreendia sem se conseguir libertar do seu casulo, a ajudou e rasgou o casulo por ela, libertando-a. Mas a borboleta não saiu a voar, como a Natureza pretendia; ao invés disso, caiu e apenas agitava as suas patinhas para a criança. Pouco tempo depois, morreu. Era necessário o esforço contínuo até romper o casulo para que a borboleta fortalecesse o seu corpo e as suas asas que lhe permitiriam voar.  
A palavra crise, deriva da palavra crisálida, que é o mesmo que casulo, de onde a borboleta só sai mediante esforço continuado. É dentro da crisálida que a borboleta sofre um processo de crescimento e diferenciação, e onde praticamente não se move durante todo o processo. Todos nós temos a nossa "crisálida": são aquelas situações de vida em que sentimos a crise que nos empurra a perceber quem somos, o que queremos e para onde vamos, a procurarmos soluções novas, atitudes diferentes, mentalidades mais evoluídas, hábitos mais salutares e que se destinam apenas a nós, e que aparecem sob a pena de, se não as aceitarmos e ultrapassarmos, ficarmos fracos e mirrados, esmorecendo caídos na terra dos nossos dias. Também existem crisálidas maiores, que contém lá dentro não apenas uma pessoa, mas um conjunto delas, assim temos a crise num casal, numa família, numa cidade, num país e até num planeta inteiro. A crise têm a tendência de nos paralizar. Ficamos inertes à espera de dias melhores, como a borboleta no interior do seu casulo, por causa do medo, das incertezas, da confusão mental, da ansiedade... mas a verdade é que é apenas quando a borboleta se põe em movimento e empreende activamente esforços no sentido de sair da sua crisálida que ela efectivamente ultrapassa a sua crise, ou melhor, esta etapa de vida que lhe proporcionou a passagem de um estado larvar a um estado em que supera os elementos e adquire uma nova capacidade de explorar os céus, atingir novas realidades e ver a terra de cima. 
Como a invejam as larvas ao observarem a sua irmã no alto! Mas um dia chegará também a sua vez, em que, tomadas pela crise da transmutação, poderão assim emergir como borboletas triunfantes. 
E tu, que esforços vais fazer para ultrapassares a tua crise?