Ri-te, pela tua saúde!



"É saudável rir das coisas mais sinistras da vida, inclusive da morte. O riso é um tónico, um alívio, uma pausa que permite atenuar a dor."
Charles Chaplin

Muitas vezes na nossa vida não nos apetece rir, ou tão-pouco sorrir. Permanecemos macambúzios, tristes, fechados, alheados do mundo, zangados ou simplesmente indiferentes. O rir ou esboçar um sorriso, deve ser um exercício a que nos devemos propor de forma constante e persistente, para nosso bem e dos que nos rodeiam, mesmo quando a dor nos atinge ou o problema nos surge. Torna-se num hábito, como muitos outros que também adquirimos com a prática, e como tal, à medida que se vai tornando cada vez mais automático e menos forçado, resulta mais fácil de acontecer e relativamente sem esforço. Dos benefícios para a saúde, muito temos ouvido falar; fala-se inclusive numa terapia do riso, onde se leva a cabo o exercício de expressar a boa disposição rindo. Mas para além da saúde, o hábito de conseguirmos rir no nosso dia-a-dia, abre-nos portas que influem na nossa felicidade: alteramos a nossa disposição mental para ver o melhor e mais positivo que existe no nosso entorno e nas situações por que passamos, dando-nos assim a capacidade de relativizar e evitar cair num prejudicial egocentrismo; quebramos a má disposição dos outros, propagando alegria, o que resulta geralmente numa maior afabilidade destes para connosco, etc...

Rir ou sorrir é uma atitude de generosidade para com o mundo e para connosco mesmos. Capacita-nos de poupar o outro das nossas dores, pois doamos felicidade e não angústia. Dota-nos de uma predisposição interior que forma uma ponte para a obtenção de soluções (uma vez que estamos mais tranquilos e relaxados), para a resistência às adversidades e para a estabilidade emocional.
Rir e fazer rir é apontar o caricato, o inusitado, o outro lado das questões, a luz ao fundo do túnel. É encontrar a união que toca a todos e partilhar a boa disposição universal. Não é ofender, não é gozar, não é apenas soltar indiscriminadamente energia em excesso para dizer e ouvir coisas parvas só porque faz falta aparentar que se é divertido ou feliz. Não é uma tentativa de nos enganarmos a nós mesmos, nem de sermos falsos ao tentarmos rir quando não nos apetece, sem perceber com que sentido o fazemos. Esse é o rir superficial que não permanece como boa disposição durante muito tempo, porque se esgota no estímulo que o originou. O rir profundo é aquele que vem do nosso querer, que tem sempre uma finalidade, uma visão mais ampla das coisas, e que nos leva a algum lugar que de outra forma não poderíamos ir. É preciso rir e saber fazer rir para conseguir por vezes transmitir uma mensagem mais profunda, no momento necessário, sem correr o risco de sensibilizar os outros nos seus dogmas ou preconceitos. É sabermos que a boa disposição sempre existe no nosso interior, como o sol que existe sempre no céu. Saber rir é ter a capacidade de afastar as nuvens negras desse céu e fazer brilhar de novo a nossa estrela para o mundo.
Já te riste verdadeiramente hoje? Reencontra esse teu lado luminoso e generoso. Seja na companhia de alguém, ou sozinho em casa a fazer caretas a um espelho. Mas ri-te. Cultiva esse hábito precioso que nos acompanha desde sempre.