Vive sem arrependimentos





Desde muito cedo que sempre pensei que queria viver a minha vida conforme o que eu própria queria fazer dela. Queria ser a autora das linhas do livro da minha vida e não ser um fantoche nas mãos das circunstâncias dessa vida. Fossem boas ou más experiências, seriam aquelas cuja génese estaria na minha vontade, na minha escolha e na minha consciência. Não há nada pior do que viver segundo os cânones dos outros, para agradar este ou não desiludir aquele, para mantermos uma imagem de nós mesmos, perante nós e o mundo, que julgamos ter que existir. Nem sempre o consegui, por vezes os medos e pressão da sociedade nos inibem e fazem-nos temer as consequências (reais ou imaginárias) de sermos nós próprios, mas nos momentos em que o fiz pude sentir o que é "ser eu mesma". Houve vezes em que escolhi certo, noutras escolhi errado, mas agora que olho para trás vejo um desenvolvimento, efectuado por linhas rectas ou curvas, que não se daria de outro modo. Sinto assim que evolui à custa das minhas escolhas, assumo a responsabilidade das mesmas e não há melhor recompensa do que sabermos que somos melhor hoje do que fomos ontem. Isto dá-nos o impulso para continuar a viver e a almejar por dias ainda melhores, atingidos por vias rectas ou curvas, mas ainda assim atingidos.

Muitas vezes pensava que não queria chegar à velhice com arrependimentos de não ter feito isto ou aquilo; que pior do que nos lamentarmos de erros passados, é lamentarmo-nos de ter vivido uma vida passiva, inerte, medrosa, incapaz de revelar um só brilho do nosso ser. Preferia, pensava, morrer ao atirar-me de um abismo, com plena da convicção de que esse seria o caminho a seguir, do que morrer na ilusão da segurança de um conforto aparente por ter sucumbido ao medo, ao pânico e à solidão dentro das amarras de uma personalidade fechada, de um muro intransponível de onde só se avistariam as sombras e barulhos do mundo exterior cujo poder de amedrontar um ser fraco e indefeso o levaria inevitavelmente a um destino pior do que a morte: a da zombificação em vida.

É importante sermos autênticos. Não o sabemos ser se em cada dia não desvelarmos cada vez mais esse Eu que se esconde por detrás de espessas camadas de adaptação às condições em que crescemos, ao mundo em que vivemos e à sociedade a que pertencemos. Devemos destacar-nos dessa máscara para nos distinguirmos dela e podermos ver quem realmente somos.

Esta foi uma das cinco coisas que as pessoas geralmente se arrependem antes de morrer, foi o que constatou Bronnie Ware, uma enfermeira autraliana que trabalhou com doentes terminais. É na proximidade da inevitabilidade da morte que nos apercebemos do que realmente importa na vida. No seu blog, Inspiration and Chai, Bronnie aponta aquilo que os pacientes frequentemente gostariam de ter feito de diferente na sua vida. 

O Verão é aquela altura do ano em que mais apetece celebrar a vida, por isso, para que comeces a viver aqui e agora plenamente, e que chegues ao fim do teu caminho com um sorriso nos lábios a pensar "Foi boa a minha vida", aqui ficam os 5 maiores arrependimentos destes pacientes:


Quem me dera ter tido a coragem de viver de acordo com as minhas convicções e não de acordo com as expectativas dos outros. 
«Este é o arrependimento mais comum. Quando as pessoas se apercebem de que a sua vida está a chegar ao fim e olham para trás, percebem quantos sonhos ficaram por realizar. (…) A saúde traz consigo uma liberdade de que poucos se apercebem que têm, até a perderem.»


Quem me dera não ter trabalhado tanto. 
«Este era um arrependimento comum em todos meus pacientes masculinos. Arrependiam-se de terem perdido a infância dos filhos e de não terem desfrutado da companhia das pessoas queridas. (…) Todas as pessoas que tratei se arrependiam de terem passado muita da sua existência nos ‘meandros’ do trabalho».


Quem me dera ter tido coragem de expressar os meus sentimentos. 
«Muitas pessoas suprimiram os seus sentimentos, para se manterem em paz com as outras pessoas. Como resultado disso, acostumaram-se a uma existência medíocre e nunca se transformaram nas pessoas que podiam ter sido. Muitos desenvolveram doenças cujas causas foram a amargura e ressentimento que carregavam como resultado dessa forma de viver».


Quem me dera ter mantido contacto com os meus amigos. 
«Muitas vezes as pessoas só se apercebem dos benefícios de ter velhos amigos quando estão perto da morte e já é impossível voltar a encontrá-los. (…) Muitos ficam profundamente amargurados por não terem dedicado às amizades o tempo e esforço que mereciam. Todos sentiam a falta dos amigos quando estavam às portas da morte».


Quem me dera ter-me permitido ser feliz.
«Muitos só perceberam no fim que a felicidade era uma escolha. Mantiveram-se presos a velhos padrões e hábitos antigos. (…) O medo da mudança fê-los passarem a vida a fingirem aos outros e a si mesmos serem felizes, quando, bem lá no fundo, tinham dificuldade em rir como deve ser».


Escolhe ser feliz. Tem um óptimo dia!