O que é a felicidade?




"A felicidade é quando o que pensas, o que dizes e o que fazes estão em harmonia."

Mahatma Gandhi



A única busca da nossa vida é esta: sermos felizes. E sermos felizes vai muitas vezes contra as nossas aspirações e expectativas. Por vezes, encontramo-nos num ponto em que obtemos o que sempre desejámos, depois de muito tempo de olhos postos nesse horizonte, e tristemente, quando lá chegamos, descobrimos que a sensação de felicidade não dura eternamente. Voltamos a sentir um vazio qualquer, e novamente, outro desejo por cumprir nos leva para outra rota e à infelicidade associada à insatisfação desse novo desejo que surge. Assim vamos vivendo a vida numa ondulação sinusoidal que nos transporta a uma dualidade sem fim, entre extremos de maior ou menor amplitude. O pior disto tudo é que esta ondulação torna-se viciante: as experiências necessárias para obter a mesma sensação, tornam-se ao longo do tempo mais exigentes e duram cada vez menos, levando à procura incessante de novas "felicidades" que se esfumam com o vento.

A felicidade não pode ser então algo que se obtém apenas num ponto espácio-temporal definido. A esse sentimento pontual que não perdura poderíamos chamar de satisfação, contentamento, alegria, mas certamente não de felicidade, aquele estado interior que não comporta um padrão de vício.

Caímos muitas vezes no erro de pensar que estamos felizes quando tudo está bem, quando temos tudo o queremos, quando estamos preenchidos e satisfeitos em todas as nossas necessidades. Isto não é verdade, e constitui uma falsa premissa que nos afasta da verdadeira felicidade, sem que nós sequer o suspeitemos. Porque veja-se: somos capazes de sentir felicidade quando nos sacrificamos por alguém que amamos, apenas por fazermos essa pessoa feliz. Somos capazes de ter problemas, mas ao mesmo tempo, sorrir e ajudar quem está ao nosso lado, e curiosamente, todas as nossas dores deixam temporariamente de existir para dar lugar à felicidade de dar o que o outro precisa.

A felicidade é independente das circunstâncias, e como tal, precisamos de aprender a vivê-la em todas as situações. Para isso, temos que reestruturar e harmonizar todo o nosso ser, a começar pela nossa mente, pois pelos nossos pensamentos surgem emoções associadas (e vice-versa), que por sua vez se ligam a situações concretas e com suficiente hábito, passam a funcionar como mecanismos automáticos, podendo afastar-nos da nossa felicidade ou aproximar-nos consoante esse hábito seja benéfico ou não.

Reconhecer e alterar a polaridade dos nossos padrões negativos mentais e emocionais, aproxima-nos da felicidade. Para os reconhecer é imprescindível ter o comando de uma das nossas ferramentas: a atenção. Ela é fundamental, já que é pelo exercício da atenção que nos apercebemos do que estamos a pensar neste exato momento, que emoção se despoletou em nós em dada situação, qual foi a reacção que provocou em nós (muitas vezes até impulsivamente), e quais foram as consequências dessa cadeia de reacções das quais nós raramente temos consciência. 

É de ter em atenção que a atenção, se não for uma ferramenta ao nosso serviço, pode como tudo, virar-se contra nós. Aquilo a que cientificamente se chama "cegueira atencional", deve funcionar para nós como a maior motivação para cultivarmos a atenção naquilo em que nos queremos mesmo focar. Estes termos designam o que acontece quando nos focamos totalmente em algo: toda a realidade fora do foco da atenção é ignorada, mesmo quando são coisas tão berrantes que noutra situação detectariamos imediatamente. Por isso, se mantivermos uma atenção nas coisas que na verdade não interessam à nossa felicidade, todos os elementos que ao nosso redor poderiam contribuir para ela são pura e simplesmente ignorados e descartados, já que estamos cegos para este mundo que se situa para além dos limites do nosso foco.

Por isso é que a atenção correcta é o 7º passo do Nobre Caminho Óctuplo de Buda - o caminho que conduz à cessação do sofrimento. Este passo consiste em ter a perfeita consciência, pela atenção treinada, de todas as nossas acções, emoções, pensamentos, o que falamos e como falamos; é ver a verdadeira natureza por detrás de todas essas coisas e poder assim escolher a harmonia, o que nos traz a verdadeira felicidade.