Tem o hábito de fantasiar?

Parece-te um urso polar?

Uma das (muitas) raízes dos nossos males é a fantasia. 
E o que é a fantasia?
Fantasia não é o mesmo que Imaginação. A imaginação obedece a um impulso de vontade sobre a mente: nós controlamos as imagens que ela despoleta e as levamos ao fim que queremos. 
Neste ponto é necessário compreender que querer e desejar também não são a mesma coisa. Como exemplo, posso desejar ficar na cama a dormir de manhã (e agora de Inverno, que bem nos vai saber!), mas no fundo o que queria mesmo era levantar-me e fazer do meu dia produtivo, o que me irá fazer sentir mais feliz e satisfeita comigo mesma - ainda que seja só a longo prazo - do que ceder aqui e agora à preguiça, ao satisfazer de um desejo momentâneo de conforto, para depois ter problemas por chegar atrasada, por ir a correr e esquecer-me de algo importante, ou apanhar trânsito e ficar a manhã toda irritada quando podia ter evitado isso ao sair com mais antecedência, ou até ter algum acidente. 
A fantasia surge quando a mente perde-se ao sabor dos desejos: as imagens mentais não são controladas, as emoções também não e os actos são assim influenciados pelas mesmas. Muitas vezes surgem repetidas vezes, em loops circulares que drenam a nossa energia e fazem-nos até sentir mentalmente cansados, espantando-nos depois porque dizemos que "eu até nem fiz nada para estar assim tão cansado". A fantasia pode inclusivamente degenerar em dimensões patológicas, como sabemos pela psiquiatria. 
O magnífico trabalho de Walt Disney é um exemplo de uma imaginação fabulosa. As suas obras são recheadas de valores morais, lições e simbolismo, conseguindo assim com as suas imagens transmitir bons ideais e belos sentimentos a várias gerações de pessoas. 
No entanto, a todo o devaneio de querer algo que nos satisfaz apenas os desejos, que deixamos correr na nossa mente ou pelas nossas emoções sem rédea alguma, a esse impulso, chamamos de fantasia.
Sobre este tema deixo-vos aqui um exercício que era feito aos aspirantes na escola Pitagórica (do filósofo Pitágoras), que, depois de terem já passado por provas que a boa maioria de nós provavelmente não seria capaz de passar, sujeitavam-se a diversas questões. 
Consistia na pergunta:

O que vês aqui?


Responde e põe-te à prova! 

Vá lá, tenta, não passes logo à resposta! :)

Este teste consistia em distinguir os alunos que se deixavam dominar pela fantasia, daqueles que, tendo mão das suas emoções e da sua mente, conseguiam assim ver a realidade sem filtros e sem "fazer filmes". A resposta mais comum a este teste é "um triângulo", no entanto, a resposta correcta é "três pontos". Esta última é o que realmente existe, a primeira é o que a mente fabrica. A nossa mente leva-nos por vezes a ver coisas que na realidade não existem pois ela está optimizada para ver padrões, para descodificar significados, etc., tudo para tornar a nossa existência física o mais automatizada possível para que possamos ter o tempo e a disponibilidade para exercitar outras faculdades mais características do ser humano e menos sobrevivencialistas. No entanto, se a mente não for uma ferramenta que dominamos, pode muito bem destronar-nos e passar ela a reinar em todo o tempo. Está aí a origem de muitos dos nossos males. É assim que passamos a entender coisas que os outros na realidade não disseram, vemos coisas onde na realidade não existem, criamos espectativas irreais porque criámos uma fantasia em torno de algo e antecipamos coisas terríveis antes de acontecerem como se fossem uma inevitabilidade matemática, mas que se analisadas, veríamos que não há assim tanta razão quanto isso para tais convicções.

Por isso, há que travar a fantasia logo no seu início, arrancar essas ervas daninhas da mente antes que façam estrago ao crescer descontroladamente. Não deixar a mente divagar sem rumo, no ócio, é um bom método. Focar a mente no útil, no bom e no belo. A erva daninha sem os cuidados da água fresca não se aguenta por muito tempo e cedo morre. Cultivar a imaginação faz-se ao fixar as imagens e pensamentos que realmente queremos ter, de forma constante e regular no tempo, com um esforço de vontade, afastando tudo o resto. É o que se faz nas meditações, que é uma forma de higienização e disciplina da mente, para que ela possa ser uma ferramenta útil e não um empecilho. Ao início pode ser difícil fazê-lo porque a mente está habituada a fazer o que quer e como quer. E como uma criancinha com birra, vai chorar e dar luta, até chega a fazer chantagem e tentar enrodilhar-nos em armadilhas para nos fazer desistir do que estamos a tentar fazer. Afinal, estamos a invadir o terreno da mente e a dizer-lhe que a partir de agora, quem governa somos nós. Claro que isso não será obtido muito facilmente, como acontece com todos os hábitos enraizados que tentamos mudar. É tentar esvaziar a mente ou concentrá-la em algo específico que não se deve alterar (de forma, cor, posição, etc.) sem querermos e logo lá vêm os pensamentos todos relacionados com os nossos problemas, preocupações, etc, a distrair-nos. Indica falta de capacidade de concentração. Mas há medida em que se persiste e treina, vai sendo mais fácil, e após algum tempo percebemos claramente a diferença entre uma mente que começamos a dominar e a dirigir e uma mente que nos domina a nós e nos cria impulsos aos quais nós cegamente obedecemos, trazendo-nos por vezes consequências desagradáveis.
Deixo-vos aqui estas pequenas dicas para começarem a reparar mais no que se passa na vossa cabeça e a ganharem mais controle sobre esse mundo interior.
Assim se educa a mente, e uma mente sã, é um bom passo para seres um ser humano melhor e mais feliz.

E tu, já fotosophaste hoje?