O significado da mandala



"Mandala é uma palavra sânscrita, que significa "círculo mágico": o seu simbolismo engloba todas as figuras expostas concentricamente, todos os alinhamentos radiais ou esféricos, todos os círculos ou quadrados com um ponto central. É um dos símbolos mais antigos (a mais antiga forma conhecida é o disco do Sol) e encontra-se em todo o mundo. [...] Historicamente, o mandala serviu de símbolo representativo da divindade, quer com a finalidade de a clarificar filosoficamente, quer para fins de adoração." 

Frieda Fordham, in "Introdução à psicologia de Jung"



As mandalas fazem parte da tradição Budista Tibetana. 
As areias coloridas que compõem a mandala eram, no passado, obtidas a partir de rochas coloridas, que seriam esmagadas para obtenção da areia. Actualmente usam-se agentes naturais para colorir as areias provenientes de qualquer rocha branca. Usa-se gesso em pó para a cor branca, carvão para o preto, uma mistura de gesso com carvão para o azul, misturando areias de rocha vermelha com o preto obtêm o castanho e do vermelho e branco fazem côr-de-rosa. Outros agentes de coloração são o milho, pólen de flores ou raízes e cascas de árvores em pó.
Primeiramente os monges desenham os traços geométricos da mandala com precisão. Depois, colocam os grãos coloridos com a ajuda de pequenos tubos, funis e raspadores, demorando várias semanas a fazê-lo. Geralmente vários monges trabalham numa mandala, criando-a a partir do centro para as extremidades.
Assim que é terminada a mandala, é feita uma cerimónia onde a mandala é destruída.
As mandalas simbolizam, entre outras coisas, a transitoriedade da vida material, a não-permanência, que faz parte da doutrina budista. Cada mandala ainda tem um simbolismo específico, associado às formas e cores que a constituem. O desapego das coisas materiais é posto à prova na destruição da mandala, assim como é requerida a paciência, dedicação e concentração na construção da mesma. É o apego às coisas que não permanecem que nos gera dor. Pois quando nos ligamos a algo que subitamente deixa de existir, sentimos que essa parte de nós que se havia ligado sofre um corte, e como qualquer corte físico, sentimos dor. Dependendo da natureza dessa ligação e da intensidade da mesma, assim também é maior ou menor a dor correspondente. 
A natureza humana não se compraz no apego que traz a dor, mas na capacidade de trazer à manifestação a essência das coisas, aquela que sempre É, e que não é transitória. Essa essência jaz em si mesmo, mas também em tudo o que o rodeia, e cada ser tem o seu modo de manifestar a essência que é una na sua raiz. E é por isso que na tradição budista existe um respeito por todos os seres, um respeito pela vida. Pois o dever do ser humano é ajudar ao desenvolvimento dessa vida, que não é a vida transitória e por isso mesmo ilusória, a que a nossa personalidade se apega, mas à Vida que através dela se quer manifestar, umas vezes de forma tosca e pouco desenvolvida, outras de maneira resplandecente e capaz de transformar o mundo.